Amanhã, às 01h05, acontece o Equinócio de Outono em Portugal.
O Sol entra em Balança, marcando astrologicamente a passagem para um território ligado às relações, à reciprocidade, aos limites, à negociação e ao equilíbrio.

Na Natureza, começa o tempo da colheita.
Depois da expansão do Verão, chega o momento de recolher, reconhecer o que foi vivido e deixar cair aquilo que já cumpriu o seu ciclo.

Muitas vezes confundimos amor com responsabilidade.
Damos mais do que podemos.
Carregamos o que pertence ao outro.
Tentamos reparar histórias que começaram antes de nós.
Ficamos onde já não queremos estar para não desiludir.
E esperamos, em silêncio, que um dia reconheçam tudo aquilo que fizemos.
Mas equilíbrio não significa dar a todos o mesmo.
Significa reconhecer os lugares.

O que é meu, é meu.
O que é do outro, pertence ao outro.
O que recebi dos que vieram antes de mim, posso honrar sem precisar repetir.
E aquilo que a vida me pede agora pode ser diferente daquilo que a minha família esperava de mim.

A árvore não luta para manter as folhas que já terminaram o seu tempo.
Deixa-as cair.
Não porque deixou de amar a vida, mas porque sabe que precisa de espaço para continuar o seu ciclo.

Talvez este Equinócio nos convide precisamente a isso, reconhecer o que colhemos, agradecer o que nos trouxe até aqui, devolver responsabilidades que não são nossas, deixar cair papéis que já não nos representam e encontrar um equilíbrio mais verdadeiro entre pertencer e ser quem somos.

Porque equilíbrio não é manter tudo no mesmo lugar.
É permitir que cada coisa, e cada pessoa, ocupe o seu lugar.